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NUTRINDO AS RAÍZES 2004 Em Janeiro passado nós retornamos à região do cerrado no Brasil central, seguindo as pegadas a onça conforme elas nos guiavam ao segundo ano do Nutrindo as Raízes, nosso programa Brasileiro de Mentores. Na fazenda Barra do Dia, que fica à uma hora ao norte de Brasília, nós reunimos 37 educadores brasileiros, artistas, líderes tribais, e trabalhadores comunitários para uma semana de conversas, ensinamentos e cerimônias que levaram o nosso currículo de mentores das Artes da Vida a um novo nível de realização. Seguindo o primeiro dia de cerimônias de abertura, as chuvas começaram, e não cessaram até a última manhã do programa. Essas chuvas incessantes dominaram nossos dias e noites, às vezes encubrindo os palestrantes, e nos forçando a ³entrar² nos ensinamentos de consciência cultural e natural. Os pontos mais relevantes desse ano do programa não foram as maravilhosas visões de animais, como no passado. Foram sim as revelações e insights recebidos dentro de cada placa da tartaruga, que representam os elementos essenciais do nosso currículo. Cada dia nossas apresentações, discussões e workshops práticos aconteceram de acordo com o que nós sentimos ser os componentes operacionais de nossos programas. Essas áreas chaves estão dispostas nas placas do casco da tartaruga. Estas incluem: Agradecimento, Rastreamento Tradicional & Habilidades de Sobrevivência, Consciência Natural, Pacificação, Consciência Cultural, As Artes da Vida, Desenvolvimento Pessoal, Educação Comunitária, Cerimônia e Renovação. Dentro de cada área, nós examinamos os recursos materiais disponíveis no manual de treinamento, nossos designados mentores apresentam seus pensamentos dentro do assunto e então nós abrimos o espaço para discussões e comentários. Nóssos participantes vieram de muitas regiões diferentes do Brasil - São Paulo, Brasília, Cuiabá, Alta Floresta e incluíram psicólogos, biólogos, arquitetos, estudantes, servidores públicos, professores de história, artistas, fotógrafos, e músicos. Um dos estudantes, uma psicóloga, veio de Barcelona para participar do programa. Os povos indígenas dessa terra vasta foram representados por duas jovens da Nação Bakairi (região de Mato Grosso) e Fernando Luís, um cacique do Povo Yawanawá, que vive às margens do Rio Gregório, próximo à Tarauacá no Estado do Acre. A equipe da America do Norte incluiu: Able West, um associado de muito tempo do nosso projeto, Solar Law e sua esposa Renata Cassis Law, nossos tradutores para o curso; e John Stokes, Diretor. O financiamento foi fornecido pela Aurora Foundation, de Santa Fe, USA. A visita foi coordenada pelos membros do Projeto Pegadas Brasil (PPB), a organização representadora do The Tracking Project no Brasil. A equipe de jovens do PPB está dedicada a ³harmonizar o ser humano com a Natureza, inspirando a conservação da vida na Terra através das técnicas tradicionais do rastreamento, a revilitação de culturas ancestrais e das Artes da Vida.² Membros da equipe incluiram: Edison Luís Guedes Neves, Bento Viana, Henrique Guedes, Renata Guedes Neves, Andreia Andrigueto e muitos outros conselheiros e amigos. A História do Nosso Trabalho no Brasil Nosso trabalho no Brasil desde a criação do Projeto Pegadas, através de sete anos de treinamentos anuais e acampamentos de liderança para jovens brasileiros, sessões adicionais para brasileiros nos Estados Unidos e agora no último ano do Nutrindo as Raízes tem seguido um plano estratégico desenvolvido através da visão coletiva da Aurora Foundation, The Tracking Project e membros do Pegadas. É valioso relatar a história de como tudo isso aconteceu. Projeto Pegadas Brasil surgiu como uma flor do nosso programa original de mentores Nurturing the Roots (NTR) que aconteceu nas montanhas Jemez do Estado do Novo Mexico - USA, em Junho de 1996, 97 e 98. Bento Viana um jovem artista visual de Brasília, foi um do 45 participantes que vieram no primeiro ano do treinamento. Bento compartilhou de nossa visão em treinar jovens no cuidado pela Terra. Em 1997 Bento pediu e recebeu permissão pra estabelecer o trabalho do The Tracking Project no Brasil, concordando em seguir a metodologia do projeto, e nossos objetivos no contexto brasileiro. Juntamente com Solar Law em Santa Fe e uma equipe incluindo Edison Luís Guedes Neves, Renata Guedes Neves e outros, Bento montou um escritório em Brasília e começou o trabalho com os jovens.
Em Outubro de 1998 nós fomos convidados a ir à Brasília para realizarmos nosso primeiro curso na América do Sul. Naquele ano nos tivemos apenas um curso de rastreamento para 50 pessoas na Chapada dos Veadeiros, ao norte de Brasília, próximo ao Rio Macaco. O acampamento foi um grande sucesso. No ano seguinte nós estabelecemos um segundo grupo de rastreadores na costa nordeste do Ceará, próximos a Fortaleza e realizamos um segundo curso em Brasília. Em 2000, nós retornamos para Fortaleza e Brasília para uma terceira rodada de cursos. Em 2001, uma nova região foi adicionada à nossa network com um curso na Serra da Cantareira, numa região próxima à São Paulo. Naquele mesmo ano criamos mais um afluente de nossos ensinamentos, iniciando um novo grupo de estudantes em Brasília, enquanto realizamos um novo grupo de cursos de liderança para os estudantes mais avançados de lá. No nosso quarto ano do projeto, nosso maior problema foi como realizar cursos suficientes e como visitar todos os centros diferentes que havíamos estabelecido durante cada visita ao país. Em 2002, nós superamos esse desafio visitando o Brasil duas vezes no mesmo ano, graças à Aurora Foundation! A primeira visita que fizemos incluiu um acampamento de rastreamento numa fazenda na região do Pantanal, no sudoeste de Cuiabá e também um acampamento de liderança para os estudantes avançados em Brasília. Retornando em Outubro 2002, nós visitamos São Paulo pela segunda vez, e demos sequência ao nosso segundo grupo de trainees em Brasília em seu segundo ano. Ao longo do tempo, Bento, Edison Luís e a equipe do PPB mantiveram uma anual agenda plena de acampamentos e visitas escolares, trazendo o trabalho à atenção de milhares de jovens. A equipe preparou um website, fez um pequeno filme a respeito do trabalho, documentou seus acampamentos com fotos e videos e espalhou as palavras a respeito de consciência natural. Este trabalho criou segundas, terceiras e quartas gerações de modelos do nosso programa em algumas das comunidades mais remotas e empobrecidas do Brasil. Após seis anos de treinamento e networking, se tornou óbvio que os acampamentos de rastreamento tinham atraído alguns jovens muito especiais. Era então a hora de reuni-los num grupo coeso. Convites foram mandados, e em janeiro de 2003 nós tivemos o nosso primeiro ano do Nutrindo as Raízes, a versão brasileira do Nurturing the Roots. Realizado numa fazenda remota na fronteira dos estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia, o primeiro programa reuniu participantes do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Cuiabá, Brasília e Amazônia, incluindo artistas, educadores, arquitetos, organizadores comunitários e líderes Indígenas. Em Outubro de 2003 nós retornamos para realizar cursos próximos a Cuiabá e Brasília, e em Janeiro de 2004 tivemos o nosso segundo ano do Nutrindo as Raízes. Em Janeiro de 2005, nós completaremos o terceiro ano de treinamento, graduando entre 35 a 40 educadores. Com a conclusão do treinamento de mentores, estaremos procurando dar sequência às nossas atividades, através da network no Brasil. Já existem planos de desenvolver um segundo treinamento de mentores em Outubro 2005 para jovens trainees de ONGs do Brasil. Nos oito anos do nosso projeto brasileiro, nos temos trabalhado com mais de 1000 participantes de todas as partes do país. Muitos milhares mais foram tocados através de cursos ministrados ao longo dos anos pelos dedicados membros da equipe do Projeto Pegadas, cujas viagens incansáveis e histórias fantásticas a respeito de nosso trabalho geraram um lista de espera de jovens ansiosos para experenciar o ³legendário² Tracking Project. Grande apoio financeiro para o início do Projeto Pegadas Brasil e para nossas visitas desde 1998 foram fornecidos através da generosidade e visão da Aurora Foundation em Santa Fe. No Brasil, mais assistência foi fornecida pela Fundação O Boticário, AVINA Foundation, Nature Conservancy do Brasil e outras organizações. Nosso trabalho no Brasil continua a brilhar, com o combustivel da inspiração e entusiasmo dos jovens rastreadores brasileiros. Nesse momento nós não podemos pensar em um trabalho melhor do que o de treinar esses jovens a cuidar desse belo presente que é o Brasil. Agradecimentos especiais à Aurora Foundation, nossos mentores, equipe e participantes Obrigado. Com Saudades dos nosso muitos anfitriões e amigos, nós esperamos por mais experiências incríveis com o mundo natural do Brasil e para o nosso ano final do Nutrindo as Raízes. Traduzido por Renata Cassis Law | back to top |
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